Sexta-Feira ,13

Mais um "santuário" que morre nas mãos de politiquices,dinheiros e interesses (sujos!)
"Este edifício não foi um prédio de habitação.
Quem o usou não vinha aqui para dormir, viver, amar, comer, resguardar-se ou em busca da sua intimidade. Não era o lar-doce-lar, construído aos pedacinhos e com amor, onde se concebe e se vê crescer, onde nos aninhamos quando a tempestade ocorre lá fora. Este edifício não era de habitação!
Este edifício, agora em ruínas e apenas aguardando a demolição material, que a espiritual já foi decidida na chocalheira política, foi um teatro!
A este edifício muitos chamaram casa, aqui muitos sofreram e amaram, aqui se dormiu e acordou e entre um e outro se sonhou. Sonharam os actores com a sua arte; sonhou o público com a sua arte. E entre luzes e ilusões, palavras e gestos, todos estiveram protegidos do mundo exterior. Ou propositada e profundamente conscientes dele!
Hoje, sexta-feira treze, dia aziago para os hiper supersticiosos actores, aqui fica o que resta do Teatro Vasco Santana, nas ruínas da Feira Popular, em Lisboa.
Mais um teatro destruído pelo apetite voraz dos promotores imobiliários, com o beneplácito dos poderes autárquicos e centrais.
E, ao contrario das tendências europeias, o Teatro –arte milenar – está a morrer em Portugal. Executado por aqueles que o deveriam defender, mal enterrado pelos camartelos públicos.
Sintomático será, talvez, que ainda sobre intacta uma antena de tv."
- by JC Duarte



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